Quase 50 tons de amarelo – Os girassóis de Van Gogh

Quase 50 tons de amarelo – Os girassóis de Van Gogh

O que você perguntaria ao Van Gogh se tivesse chance?

Vincent, Vincent…Me fala sobre os girassóis!

Van Gogh: — O que tem eles?

—Me fala sobre eles!

Van Gogh: Tudo começou com o desejo de criar um lugar onde pudéssemos reunir artistas, formar um grupo, seria um celeiro de ideias, onde todos seriam iluminados pelo sol brilhante…..Por isso, criei a “Casa Amarela”. E o Girassol seria um símbolo  para  inspirar as pessoas que frequentariam o espaço.

Eu tinha um amigo, Gauguin,(famoso pós-impressionista) que esteve comigo na casa amarela por alguns meses, mas logo se foi, logo após o incidente com minha orelha. Então resolvi me internar em uma clínica. Passado algum tempo, Gauguim me pediu por uma versão dos girassóis.

O que os torna tão especiais?

Van Gogh—São mais de trinta tons de amarelo, foram usadas poucas cores em outros tons para dar ênfase a cor predominante, que tem o propósito de iluminar como um sol, as pinceladas são densas e curtas, quase que dá para acompanhar o trabalho, a escolha do tema tem a ver com amizade, inspiração, acolhimento e também simbolizava o que passava pela minha cabeça, um momento iluminado.

Entre os girassóis existem os que já morreram, os que estão em pleno frescor e ainda as sementes simbolizando o ciclo da vida. A variedade de cores, sutilezas que podem existir criando ainda assim algo rústico, uma natureza morta,que de morta nada tem, é viva e pulsante.

Mesmo conscientes da nossa mortalidade ainda podemos ter uma vida iluminada, tocados por diferentes nuances de cor, assim como acontece com os girassóis, que são tocados pela luz de diferentes formas, de acordo com a posição de cada um.

Van Gogh chegou a fazer um total de 7 versões,  cinco delas estão em grandes museus no mundo Inglaterra, Holanda, Alemanha, Estados Unidos e Japão.

Vincent Willen Van Gogh, nasceu em 1853 na Holanda e morreu em 1890 na França. Sabemos que não teve uma vida fácil, a doença o assombrava, as crises de epilepsia e melancolia crônica o atingia sem aviso, dizem que sofria mudanças de humor, que era instável.

Seu irmão Theo Van Gogh era um comerciante de arte e o ajudou durante toda a sua vida de artista, em cartas trocadas o seu irmão Theo falava  que não conseguia vender nenhum de seus quadros para os clientes dele. Achavam as telas escuras demais.

Theo sempre apoiou o irmão, mesmo com a descoberta tardia do ofício quando decidiu aos 27 anos que queria ser pintor, mesmo nunca tendo antes tocado em um pincel.

Antes da casa amarela,  Theo chamou Van Gogh  para ir para Paris, lá conheceu pessoas interessantes, principalmente os chamados impressionistas, que o tocaram de forma diferente, toda aquela cor o encantou, e todos estavam apostando nesse novo estilo, inclusive Theo, que propôs junto com outros colegas  para  Van Gogh fazer algo nesse sentido,  depois que saiu de Paris escreveu ao irmão sobre isso,  para dizer para um amigo: (Seurat, pioneiro do pontilhismo)

“Diga a Seurat, que eu ficaria desesperado se minhas figuras fossem exatas … diga-lhe que anseio por fazer tais incorreções, tais desvios, remodelações, mudanças na realidade, para que elas possam se tornar, bem, mentiras, se você quiser, porém mais verdadeiras que a verdade literal.”

Van Gogh, pintava o tempo todo e todo e tempo,  usando  toda sua energia, se fazia cansar para que a doença não o alcançasse, em uma de suas cartas escreveu para o irmão:

Me sinto mentalmente esgotado e fisicamente esmagado, mas preciso continuar criando para que retorne nosso investimento. Não posso fazer nada se meus quadros não vendem. Continuo pensando que chegará o dia em que as pessoas poderão ver que as pinturas valem muito mais do que custam, até mais que a minha existência, eu ponho tudo nelas… querido irmão, minha divida com você é tão grande que quando tiver pago, (penso que poderei fazer um dia) a tarefa de pintar terá se apropriado da minha vida de tal forma que parecerá que não vivi.( carta 712, Arlés, outubro de 1888)

Van Gogh: — A pintura está na minha pele… é um sol, uma luz, que eu só posso chamar de amarelo, porque não tem outra palavra…”

Uma última coisa,

Eu quero que todos vejam o que tem no meu coração.

Com amor Van Gogh.

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