BIENAL DE ARTE DE VENEZA ADOTA PROVÉRBIO CHINÊS

BIENAL DE ARTE DE VENEZA ADOTA PROVÉRBIO CHINÊS

A próxima edição da Bienal de Arte de Veneza pretende combater a discussão polarizada, recuperando uma antiga “maldição” chinesa sobre os tempos de incerteza

 

Ilustrado pelo novo curador do evento, Ralph Rugoff, o manifesto da próxima Bienal de Arte Contemporânea de Veneza promete complexidade e contradição.

A arte não deveria andar de mãos dadas com “o conformismo da simplicidade”, mas “abraçada com a contradição”, a fim de fornecer instrumentos para compreender perspectivas diferentes. Segundo a agência ANSA, essa é a ideia principal do manifesto produzido por Rugoff, que pretende combater o modelo imposto de discussão polarizada.

Sublinhando que a arte fornece “instrumentos para perceber a complexidade”, o curador sustenta ser “impossível o diálogo entre extremos opostos”. “A internet permitiu esse cenário, em que hoje posso escolher ver só as notícias de que gosto no telemóvel”, disse, ao defender que a arte desempenha um papel de extrema importância por desenvolver a compreensão de perspectivas diversas. Por isso, colocar em discussão categorias sob vários ângulos, mostrando todos os pontos de vista, será o objectivo da 58ª Bienal de Arte, que decorrerá entre 11 de Maio a 24 de Novembro do próximo ano nas zonas dos “Giardini”, “Arsenale” e outros espaços de Veneza.

Durante a apresentação do evento, em conjunto com o presidente da Bienal, Paolo Baratta, o curador explicou que a edição de 2019 está subordinada ao tema geral “may you live in interesting times” (que possas viver em tempos interessantes), inspirado num provérbio chinês, muito utilizado na política dos anos 30 e 60. “Não existem dúvidas de que os nossos tempos são interessantes”, afirmou Rugoff.

A expressão remete para uma antiga maldição que desejava ao visado, tempos de incerteza, crise e turbulência, algo que, segundo o curador, reflecte a actualidade. “As coisas mudam de modo imprevisível”, disse, recordando as recentes mudanças de governos que ninguém teria previsto, o inusitado Brexit, a eleição de Donald Trump, e o nascimento de governos na Europa modelos do fascismo, o que não acontecia desde a década de 1930.

“Num momento em que a disseminação digital das notícias falsas e factos alternativos está a corroer o discurso político e a confiança de que depende, é importante fazer uma pausa para encontrar as nossas referências”, disse Rugoff, que é responsável pela “Hayward Gallery”, em Londres.

Além disso, na edição de 2019, os próprios artistas tornar-se-ão também curadores, já que poderão indicar colegas que gostariam de ver a expor os seus materiais. O presidente Paolo Baratta recordou, na apresentação, o sucesso da Bienal nos últimos anos: “Com 615 mil visitantes, a mostra tem-se tornado mais independente, sem necessidade de apoios externos, e esperamos que continue assim”.

“Estamos comprometidos com o princípio de que a instituição deve ser uma máquina para ver o futuro, uma necessidade que a arte pode satisfazer”, acrescentou Baratta.

 

JTM com Lusa e agências internacionais

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